14 de novembro de 2008

A Igreja, em Cristo, é como que o sacramento ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano.
CONCÍLIO VATICANO II, LUMEN GENTIUM 1


Numa tarde solarenga de S.Martinho um amigo lança-me um desafio. Convém informar que o amigo é muito dado às lides politícas e a envolver-se nas causas da terra.

Dito isto, o desafio é escrever sobre a não existência de rampas na igreja da vila.

O meu olhar estupefacto, fez com que lhe saisse um rápido: escreves bem... eu nem escrevo... já te li e tal e tal... creio que lhe disse que iria pensar no assunto.

Creio que vou ter de declinar este desafio, primeiro porque não sou escritora e depois porque vou lá de vez em quando, e na igreja não entro há anos.

No entanto fiquei a pensar nas rampas.

A Igreja é linda e digna de visita, situada no Largo da Imaculada Conceição, datada do séc XV - XVI , tem um belo pórtico manuelino e um magnifico altar forrado a azulejos.

A minha vida está ligada aquela igreja, foi aqui que fiz a minha inserção à comunidade dos fiéis, a Igreja, pelo baptismo, e seguida dos restantes sacramentos, "Sinais da salvação que Jesus instituiu na sua igreja".

Ao Domingo religiosamente com as "amigas" rumávamos à Igreja para ouvir a Palavra do Senhor, ouviamos pouco a Palavra e mais a palavra de quem estava ao lado....outros tempos!

Com o passar do tempo, relativizámos a importância das coisas, e passamos a não olhar para algo que sempre existiu e foi assim.

No entanto, devemos parar, olhar em volta e analisar o que temos à nossa frente. Não somos todos iguais, nem todos fazem uso pleno das suas capacidades de locomoção.

Numa população...que não vai para nova... as pessoas que frequentam a igreja deviam ter oportunidades iguais de acesso à mesma.

Uma pessoa que queira ir à igreja, depara-se em primeiro lugar com alguns degraus para o primeiro patamar e mais dois ou três degraus para se entrar no edifio.

Confesso que nunca tinha pensado no tema, no entanto façamos um pequeno exercicio, consideremos o seguinte se houver o mesmo fervor e entusiasmo de ajuda ao próximo, como existe no acto beato de tantos quererem ajudar a dar a comunhão, todos poderiam unir esforços para a construção de uma rampa.

Em vez de dar hóstias, unam-se no objectivo último de encontrar patrocinios, fazer peditórios, com um fim mais próprio, corrijir uma situação desigual perante uma mesma população.

No órgão legislativo próprio a Assembleia Municipal, discuta-se o assunto, mas mais importante tomem-se medidas de correcção, de forma a eliminar barreiras arquitectónicas nos equipamentos colectivos e na via pública.

Todos os novos projectos a apresentar, na autarquia, deveriam ser contempladas medidas que assegurem e facilitem a mobilidade urbana e o acesso aos edifícios de habitação de dimensão “relevante”. Também, todos os edifícios com espaços comuns, como lojas, cafés, bancos, entre outros devem ter essas rampas.

O Estado determinou se devevria dotar todos os edifícios públicos com condições de acessibilidade para os cidadãos com problemas de mobilidade, de acordo com o Decreto-Lei 123/97.

Amigo pensei bem e não tenho muito que escrever sobre o assunto ;)

Já te foi explicado, ó homem, o que é bom,
e o que Senhor exige de ti:
Praticar a justiça,
amar a misericórdia
e caminhar humildemente com o teu Deus!
MIQUEIAS 6,8

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